sexta-feira, 26 de setembro de 2008

PAPO SÉRIO: VAMOS NOS UNIR NESTAS ELEIÇÕES!!!!!



Desculpem a extensão do texto, mas acho que temos que falar sério sobre estas eleições, esclarecendo, um pouco, o histórico da homossexualidade e a união que devemos ter para garantirmos um futuro melhor a nós mesmos.


Assim como os negros e as mulheres num passado recente, nós, homossexuais estamos mostrando à sociedade a necessidade de uma legislação mais digna e respeitável para conosco.
Desprovidos de base jurídica clara que nos ampare, vislumbra-se a real mudança de alguns pontos de nosso ordenamento jurídico para a inserção de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais no conceito atual de cidadania brasileira.
O aparato legal vigente que trata do preconceito e discriminação não especifica em momento algum a defesa da livre orientação sexual, sendo que, tais leis, foram elaboradas em uma época em que nosso grupo fazia parte do Código Internacional de Doenças como possuidores de transtornos sexuais.
Perante a política internacional, o Brasil e a classe política brasileira, são considerados retrógrados sobre o tema em questão, já que quase todos os países desenvolvidos cultural e economicamente não só protegem como garantem direitos ao casamento e possibilidade de adoção para os GLBTTs.
Desde os primórdios, a homossexualidade, assim como a heterossexualidade, sempre existiu em todas as partes do mundo fazendo parte integrante da história, mesmo que na maioria das épocas não tenha sido aceita. Porém, Sempre foi diversamente interpretada e explicada, sendo que mesmo não a admitindo, nenhuma sociedade ignorou o fato de haver a homossexualidade nas culturas mais diversas.
Esta orientação sexual, na Grécia Antiga, era considerada um privilégio dos bem-nascidos, como reis e heróis. Na religião havia Deuses homossexuais como Zeus e Gaminede que formavam o mais famoso casal homossexual, bem como Apolo que era conhecido pelo rapto de jovens com finalidade de práticas sexuais.
Não só a homossexualidade, mas como também a bissexualidade, na Grécia Antiga, era aceita. Entretanto, a heterossexualidade é que sofria discriminação, pois era considerada uma sexualidade inferior, com o único objetivo de procriação, ao contrário, a homossexualidade era considerada como uma necessidade natural, reservada a ambientes cultos, sendo uma manifestação legítima da libido, não havendo um caráter de degradação moral. Todo cidadão poderia ser heterossexual e homossexual, cabendo assinalar que esses termos eram desconhecidos à época.
Através da homossexualidade, os jovens gregos eram inseridos na sociedade, de forma que, tais jovens, chamados de efebos, sentiam orgulho deste acontecimento em sua vida.
Acreditava-se que o envolvimento sexual e afetivo dos jovens com os homens mais velhos (guerreiros e sábios) era uma forma da cultura e do conhecimento ser passado à frente, tanto que Platão abordou esta prática como forma de adquirir sabedoria, bem como ficariam mais bem treinados para a guerra e mais hábeis para política, tendo assim, um caráter pedagógico.
Pode-se abordar a aceitação da homossexualidade em Roma através de decisões tomadas pelo Imperador Romano Adriano, um dos maiores da época, sendo um guerreiro, cultor das artes e filósofo. Ao se apaixonar por um jovem de nome Antínoo, assumiu para o Império seu relacionamento homossexual.
Com a morte prematura de Antínoo por afogamento, o Imperador Adriano decretou luto oficial na cidade, bem com construiu e espalhou por todo o Império estátuas em homenagem ao seu falecido companheiro, chegando a divinizá-lo e conseqüentemente cultuá-lo.
Nota-se que as culturas mais antigas relacionavam a homossexualidade como uma relação sexual entre homens, baseadas no afeto e na sabedoria, admitida na sociedade como forma de poder e evolução cultural, sendo a heterossexualidade apenas para fins de reprodução.
O tratamento da homossexualidade como de forma cotidiana e habitual, teve seu fim com o nascimento da era cristã que institui à homossexualidade o caráter de perversão.Na Idade Média, a Santa Inquisição foi a maior perseguidora dos homossexuais masculinos, intitulados como sodomia, pois a homossexualidade feminina, intitulada como safismo, era tida como uma questão de mera lascívia. Esta perseguição tinha como intuito de preservação do grupo étnico, através da idéia de que a essência da vida é o homem, a mulher e sua família.
As Ordenações Filipinas de 1603, sob forte influência da Igreja Católica, caracterizavam a homossexualidade como um crime, sendo estes queimados vivos, pois acreditavam que ao serem transformados em cinzas seriam esquecidos, conseqüentemente não podendo sepultá-los.
Com o declínio da influência da Igreja Católica perante o Estado, no século XX, inicia o surgimento de uma sociedade menos homofóbica, descaracterizando a homossexualidade como um ato ilícito e/ou imoral.
A partir deste momento, a homossexualidade começou a ser tratada como “algo anormal a merecer cuidados da ciência médica” entrando para o Código Internacional de Doenças a partir de 1935, no capítulo “Das doenças mentais” e no subcapítulo “Dos desvios e transtornos sexuais”.Foi retirado em 1995 pela Organização Mundial de Saúde, por considerar esta sexualidade como uma forma diferente de envolvimento sexual/afetivo, não causando sofrimento a pessoa.
A classificação da homossexualidade como doença serviu num determinado momento histórico para, de certa forma, proteger os homossexuais contra a punição pelo Estado e pela Igreja Católica que viam na homossexualidade um crime.
Ao invés de criminosos, os homossexuais foram tratados como doentes, obtendo o benefício de não sofrerem mais punições.
No entanto, nasceu desta classificação o estigma preservado até a atualidade, cabendo a nós, homossexuais, lutarmos por uma sociedade mais digna e justa.
Nossa missão no presente momento é refletirmos muito sobre nosso voto nas próximas eleições.
Pesquisem qual candidato(a) está focado(a) nas causas homossexuais e votem neste(a)! Ele ou ela é que trabalharam em nossa defesa!!!!

O VOTO É NOSSO MAIOR INSTRUMENTO DE LUTA POR UM FUTURO MELHOR!!!!!!

por VINCENZO GONZAGA

7 comentários:

Trillian disse...

Eu não teria dito melhor. Parabéns pelo blog, é ótimo.

Leon disse...

Ola querido
adorei o seu post... concordo completamente com vc... não podia ter escrito isso em época melhor...
Temos que analisar em quem vamos depositar nossa confiança... é uma pena que muitas pessoas não aprenderam a votar ainda.
bjusss

Queer Girl disse...

Amo seus textos!
Votar com consciência e bem!
Votar em quem merece!
Boas eleições para esse nosso Brasil!
Um beijão e uma ótima semana pra vc!!

pinguim disse...

Vocês aí, numas eleições políticas, mas com reflexos nos justoa anseios dos homossexuais e nós aqui com um projecto de lei directamente ligado a um anseio homossexual, que é a possibilidade do matrimónio gay, com elevadas conotações políticas.
Duas faces de uma mesma moeda, mas as coisas começam mesmo a mexer.
Abração.

AIRBORNE disse...

tá na hora mesmo do povo começar a votar direito... o problema é que no final a classe que possui acesso à cultura e informação é infinitamente menor do que a classe que vota por uma cesta básica...

mas façamos a nossa parte!! parabéns pelo texto, muito legal!

ótima semana!

Isadora disse...

Adorei!! Pode ter sido grande o texto, mas veleu ler por completo!
Fico chateada ao ver que tem gente que não procura se informar e diz que não tem nenhum candidato bom para votar, aí vai lá e anula. Tem horário político pra que? É chato? É, mas é necessário... Não adianta reclamar se continuar parado. Quem não vota não tem direito de contestar...

Marcos Freitas disse...

Temos que usar esse arma (o voto) para acabar com essa bancada ultra conversadora que compõe o as câmaras e o senado do Brasil.